Conservadores britânicos obtêm vitória inédita em ex-reduto trabalhista na Inglaterra

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Boneco inflável de Boris Johnson em Hartlepool, em 7 de maio de 2021 — Foto: Lee Smith/Reuters

A contagem de votos das eleições locais e regionais teve início no Reino Unido depois da “super quinta-feira”, como é chamada a maratona eleitoral no país que pode ter consequências importantes para o futuro do Partido Trabalhista. Em Hartlepool, na Inglaterra, os conservadores obtiveram uma vitória inédita nesta localidade dominada pelos trabalhistas há décadas.

De acordo com estes resultados, os primeiros a serem anunciados após o fechamento das urnas, a candidata conservadora Jill Mortimer obteve 15.529 votos, quase o dobro do obtido por seu oponente trabalhista Paul Williams (8.589). “É um resultado histórico”, parabenizou Amanda Milling, da cúpula do Partido Conservador, em uma nota.

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Essa é uma grande derrota para os trabalhistas que dominavam Hartlepool, no nordeste da Inglaterra, desde os anos 1960. O Partido Trabalhista tenta minimizar a façanha dos conservadores. Segundo a legenda progressista, a reviravolta se deve a uma espécie de agradecimento da população local ao primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

Em 2016, Hartlepool votou massivamente pelo Brexit. Com a promessa cumprida do premiê e a saída do Reino Unido da União Europeia, os trabalhistas alegam que a população local quis expressar seu apoio. Johnson também tem forte popularidade nesta região graças ao sucesso da campanha de vacinação contra a Covid-19.

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O problema, para os trabalhistas, é que nos outros conselhos municipais ao redor de Hartlepool os resultados também não parecem favoráveis aos progressistas. Os eleitores formaram o que os britânicos chamam de “red wall” (muro vermelho), cor do Partido Trabalhista, um fenômeno que não de via desde o declínio da indústria provocada pelo governo de Margareth Thatcher, detestada no norte do país.

Teste para novo líder trabalhista

Esse era o primeiro teste eleitoral para o dirigente trabalhista Keir Starmer. Ao que tudo indica, ele deve enfrentar uma enxurrada de más notícias nesta sexta-feira (7).

Até então, Starmer se apresentava como aquele que poderia lutar contra a erosão dos progressistas nesses bastiões do norte e centro do país para tentar restabelecer a legenda após a derrota de seu antecessor, Jeremy Corbyn, nas eleições legislativas de 2019 – a pior em décadas.

Entre alguns integrantes do partido, é impossível esconder a insatisfação com os primeiros resultados das eleições regionais e locais. “É terrivelmente decepcionante”, tuitou o deputado trabalhista Richard Burgon. “Retrocedemos nas áreas em que deveríamos ganhar. A liderança trabalhista deve mudar”, afirmou.

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